Antes de começar
Sempre procurei um lugar para escrever.
Não exatamente um lugar para compartilhar resenhas, dar notas ou dizer se algo é bom ou ruim. Eu procurava um espaço em que pudesse simplesmente falar sobre o que me marcou.
Já tentei fazer isso de algumas formas...
Houve o Instagram, com algumas fichas de leitura e textos que precisavam caber dentro de um formato. Houve sketchbooks, journals e páginas que pareciam perfeitas enquanto estavam na minha cabeça — e que, justamente por isso, muitas vezes acabavam sendo descartadas dentro de alguma gaveta.
Também houve aquela sensação dos perfis fakes na internet, quando ainda era possível entrar em algum lugar quase como quem entra em uma pequena sala desconhecida e encontrar pessoas falando sobre as mesmas coisas que você. Uma série, uma música, um cantor, um livro, uma obsessão qualquer. Pessoas diferentes, interesses diferentes e pequenos nichos se encontrando.
Eu gostava disso.
Talvez porque nunca quisesse falar sobre uma coisa só.
Hoje posso terminar um livro e passar horas pensando nele. Amanhã posso estar fascinada por uma playlist qualquer. Depois, sobre um filme que me deixou estranhamente introspectiva. Ou sobre alguma coisa que nem sei exatamente por que me marcou tanto.
E eu queria um lugar em que tudo isso pudesse existir junto. Foi assim que comecei a pensar no Arquivo de Impressões.
Não quero que este seja um lugar perfeito, mas o oposto disso.
Durante muito tempo, a possibilidade de mostrar algo a alguém vinha com o receio de não gostarem. E, para mim, isso era suficiente para fazer com que muitas coisas permanecessem escondidas.
Eu poderia passar dias tentando deixar uma página bonita, encontrar a palavra exata, escolher a imagem certa, reorganizar tudo mais uma vez — e, no final, simplesmente não publicar. Porque, enquanto alguma coisa permanece apenas comigo, ela ainda pode ser perfeita.
Mas eu não quero mais isso.
Quero escrever mesmo quando não estiver perfeito, quero publicar uma coisa apenas porque gostei dela, porque alguma coisa me atravessou, porque uma música ou história ficou comigo por dias por algum motivo.
Quero que o arquivo exista.
Acredito que podemos escrever sobre coisas comuns do dia a dia e, ao mesmo tempo, tentar construir visualmente a mesma sensação que elas provocam.
Algumas histórias chegam acompanhadas de uma estética própria, um livro pode ser sol, areia, água e dourado, assim como uma música do Mac Miller pode facilmente ser uma fotografia granulada em preto e branco.
Tenho pensado muito em como mesclar revistas, jornais vintage, fotografias, tipografias e cores no Arquivo, pois juntos podem dizer muito, mesmo que você ainda não tenha consumido a obra analisada.
E, com tudo isso, o que estou tentando guardar aqui não são exatamente as histórias, pois elas já existem em seus próprios lugares, mas quero guardar o que aconteceu comigo enquanto elas existiam.
As descobertas, decepções, pequenas obsessões, crises existenciais durante uma leitura, as músicas que se renovam e ganham um novo significado a cada jam com seus amigos.
Este é um arquivo de tudo isso, um Arquivo de Impressões.
E esta é a primeira.

Que leitura gostosa de ler, senti uma certa nostalgia de conexão com o simples ao ler o arquivo, acredito que a nossa existência em uma sociedade acelerada está nos impedindo de viver com prazer as pequenas coisas, como apenas gostar de algo e publicar, a arte de existir, sentir e embelezar não precisa necessariamente de uma ordem, perfeição ou algoritmos para ser linda, para mim existe beleza no caos, na rotina, na magia do ordinário.
ResponderExcluirObrigada por compartilhar
Parabéns Lala pela coragem, por não desistir de pertencer ao mundo, já que vivemos em um mundo frenético, onde ninguém tem tempo de parar para observar o sol, a nuvem ou simplesmente o barulho do cotidiano, que tem lá seis encantos, vc encontrou um lugar pra te caber. Vc é muito grande pra ficar presa. Te desejo sorte nessa nova jornada. Um beijão nessa sua cara linda.😙
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